Review: Shape Of Voice (Koe No Katachi)

Olá! Estou de volta com os reviews de filmes, e hoje trago o filme-anime Shape Of Voice (Koe No Katachi) da Kyoto Animation, lançado em 2016! Lembrando que a Kyoto Animation é o mesmo estúdio que foi atingido por um incêndio recentemente.

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Antes de iniciar o review, como de praxe, farei um pequeno resumo da animação. A história se inicia no ensino fundamental de uma escola japonesa quando uma aluna nova, Nishimiya, choca a todos os seus colegas em seu primeiro dia de aula por ser surda. A princípio, a proposta da escola e da própria Nishimiya é de que todos os colegas se comuniquem com ela através de folhas de caderno, mas logo a linguagem de sinais tenta ser inserida em contexto escolar – o que divide a opinião das crianças da sala. Nesse momento, havia crianças que continuaram empáticas, enquanto outras estavam impacientes com o tanto de coisas novas que seriam inseridas em seu ambiente somente por causa de uma criança. Dentre essas crianças está Ishida, um garoto extrovertido e constantemente sendo chamado atenção por agir mal e desobedecer com o intuito de fazer seus colegas rirem, que começa a praticar bullying contra Nishimiya, junto aos seus amigos. Inicialmente apenas verbal, dando sustos, ignorando, mas depois essa agressão passa a ser invasiva e até mesmo física.Imagem relacionada

Nishimiya sempre reagiu bem e muito paciente, com severas tentativas de fazer amizade com Ishida e demonstra muita bondade e empatia ao oferecer perdão. Porém, depois de meses de aula, a situação se torna crítica quando vários dos aparelhos auditivos da menina têm voltado quebrados para casa, tal como a própria muitas vezes ferida, e a sua mãe toma uma atitude que desperta a atenção da escola e da coordenação, que vai na sala procurar entender o que vêm acontecido. Nesse momento de pressão, as crianças jogam toda a culpa para Ishida, que é punido – não apenas pela escola e família, mas também pelos amigos e por si mesmo. A partir desse dia Nishimiya saiu da escola, Ishida foi isolado dos colegas, e sua vida tornou-se terrível, fazendo-o inclusive cogitar suicídio. Porém, um dia, ele decide buscar por redenção por essa colega e vai até ela, ambos já no ensino médio, mal sabendo que ali se iniciaria sua amizade. Dessa vez Ishida havia chegado a Nishimiya sabendo falar a língua de sinais, pedindo por perdão e tentando participar de sua vida e suas atividades, como por exemplo alimentar peixes.

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Uma coisa relevante sobre o filme é a sua beleza gráfica. É completamente impressionante a paleta de cores, os locais ilustrados, a iluminação, os personagens e suas expressões. É um filme visualmente atrativo, com um cenário bem tratado e com grande efeito tridimensional, fluido, com roupas e cabelos nada cartunescos e que prendem o telespectador. Então, além de sua história extremamente original, ele nos ganha pela imagem e efeitos sonoros (a dubladora de Nishimiya, inclusive, também é surda, e em seus momentos de fala é completamente realista).

É interessante associar esse filme com outros filmes japoneses em destaque para enxergar que ele não é convencional. Os protagonistas de filme japoneses normalmente são sempre bons, corretos desde o início, mas o Ishida realmente era uma pessoa com valores ruins e que realmente passa por problemas até perceber que precisa mudar se quiser ser digno de bons amigos, e dá a volta por cima a partir do arrependimento. Isso tornou Ishida realista, tendo preconceitos contra uma pessoa com deficiência real, e age com crueldade e insensibilidade, além de egoísmo, sofrendo com isso e aprendendo a lição de que o mal gera o mal, tendo que lidar com isso até a vida adulta. Resultado de imagem para koe no katachi

Nishimiya, por outro lado, já se torna uma protagonista diferente por ser surda e parte de minorias. O fato de existirem histórias com minorias protagonistas já é uma vitória e ajuda na conscientização geral. E o realismo está justamente na reação e postura do seu novo meio social escolar – que uma parte teve empatia e o resto foi bastante bruto com ela, fazendo-a sofrer bastante durante todo o processo, mantendo uma imagem inocente e cheia de compaixão, mas que demonstra ao longo do filme esconder muito sofrimento acumulado ao longo dos anos.

A partir do momento em que os dois protagonistas iniciam sua amizade é interessante ver como Ishida passa a absorver os comportamentos da amiga – que sempre foi muito bondosa e cuidadosa, por mais que a ferissem ou que lhe fizessem mal. Ishida começa a ser empático e a defender outras pessoas, fazer amizades puras sem a necessidade de agir mal para fazer ninguém rir, e tudo isso o aproxima de Nishimiya e atrai amigos novos e antigos.

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Para evitar grandes spoilers do final, devo finalizar dizendo que a história é verdadeiramente linda e original, quebrando paradigmas e fugindo da zona de conforto do telespectador que está acostumado a assistir animações japonesas dentro de um padrão, trazendo à tona temas relevantes e pouco discutidos na Ásia.

Recomendo a todos os amantes de animações japonesas e todos aqueles com coração aberto para assistir algo completamente novo e sensível.

Você pode assistir Koe No Katachi na Netflix. Deixo aí embaixo o trailer para os instigarem ainda mais:

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2 comentários sobre “Review: Shape Of Voice (Koe No Katachi)

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