Re-reciclagem / Momento poesia

Olá! Se tem algo que eu gosto é escrever, e, para variar os estilos, trouxe para vocês um de meus poemas autorais favoritos. Espero que gostem!

Re-reciclagem
Vidro, verde; plástico, vermelho; papel, azul; metal, amarelo;
Marrom, orgânico;
Somos lançados todos os dias em cestos marrons
Somos amassados
Embalados
Cuspidos
Arremessados no cesto marrom
Não passamos de um amontoado de carne, pele, átomo e, os sortudos
Com pedaços de poesia
Levados diariamente para a reciclagem
Reciclagem onde nos remontam
Refazem, reconstroem, e somos postos de novo
À venda, para uso
De quem?
Refeitos e moldados simetricamente para que depois
Amanhã, talvez
Quando as moscas começarem a nos rondar
Quando beirar-mos nos tornar atração de urubu, nos jogam fora
Para reciclar, refazer, reconstruir (se tivermos sorte)
Nos empurram para cairmos no molde em chamas, onde nos desfazemos, desintegramos
Diluimos
E, ao esfriar, temos o mesmo formado de todos os outros
E somos revendidos, em um outdoor, em uma loja
Mas à medida em que vamos tendo contato com o mundo, mudamos
Deformamos, e ao deixar de ser o objeto produzido, adivinha? Reciclagem
Moldados, novamente, em um seguimento de ciclo social/ambiental interminável
Até agradar a alguém – ou melhor, a todos
Não não estou reclamando ou criticando esse vai-e-vem material
Até porque
Não fui moldada para isso.

 

 

– Maria Lua Sánchez, 2016.

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2 comentários sobre “Re-reciclagem / Momento poesia

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