A decisão sobre onde o mundo vai parar – Redação

Ouve-se muito a voz do povo comparar o mundo com um ovo frito. Quem está na gema, no centro, está inchado. Essa minoria tem uma altura superior à periferia, que está rala e murcha em volta do centro. Centro este onde há boas moradias, boas escolas, bons empregos e ótimas perspectivas. Lugar onde os marginalizados, a clara, vão durante o dia para batalhar, tendo que, à noite, retornar para a sua miséria.

É comum ver, tarde da noite, pedreiros e empregadas domésticas nos ônibus, depois de seu esforço que, mal sabem eles, é insuficiente para erguer sua qualidade de vida, tal como conseguir uma casa decente com direito a segurança durante as chuvas. É fácil mantê-los em lugares afastados? Muito. Mas não é o correto. Reclama-se tanto dos bandidos oriundos das favelas, mas não se faz esforço para tirar as crianças desse ambiente. E é assim que a acomodação acaba por calar o descontentamento. Faz-se mal à sociedade quando não procura falar por todos os subordinados e silenciosos discriminados.

Estar na selva e não ter expectativas fora da favela são situações bem semelhantes. Aprende-se a lutar, a roubar, e até a matar quando nota-se que não vai ter o que comer no dia. Algumas mulheres, as sortudas, conseguem a oportunidade de servir (de forma semi-escrava) uma família de lhe disponibilize um cubículo chamado quarto – e essas são aquelas que jamais terão que cogitar o comércio do próprio corpo, ao menos. Enquanto isso, os patrões, médicos, juízes, policiais e políticos assistem televisão enquanto se perguntam “por que o mundo é assim? Essas pessoas não se envergonham dos crimes que cometem? Não pensam que seria mais fácil estudar e batalhar ao invés de roubar?”

E não se move um dedo para mudar nada. Há certa sincronia injusta nas sociedades, onde cada paralelo aceita a existência do seu oposto social sem sequer questionar-se sobre o que está errado. “O que podemos mudar? Será que não existe uma maneira de investir em moradia e educação de forma que agrade a todos?”, essas são as perguntas que deveriam substituir ao clássico “onde o mundo vai parar?”

 

– Maria Lua Sánchez, redação de 2016.

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9 comentários sobre “A decisão sobre onde o mundo vai parar – Redação

  1. Parabéns Lua
    O texto é primoroso na exposição do seu ponto de vista e a introdução citando o ovo, além de criativa é interessantíssima. Eu particularmente adorei.
    Você pontua com perfeição, o que realmente é um ponto fora da curva entre essa juventude que mal sabe ortografia e gramática, quanto mais expor ideias com tamanha clareza. Excelente, um verdadeiro motivo de orgulho.

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  2. Bons pontos. Ainda que ache que a empatia, sozinha, possa fazer pouca coisa, penso que é importante pensar que as favelas existem e podem ser, porque não?, lugares legais. Talvez não seja preciso tirar as crianças de lá, mas colocar possibilidades de vida melhor. Que te parece?

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