Eu e as tatuagens

A minha história com tatuagens é bem alternativa. A minha mãe tem um símbolo tribal (significado: dezoito anos), e desde muito pequena eu falo “ah mãe, mas eu nunca vou fazer tatuagem. Nunca vou colar piercing, pintar o cabelo de loiro, me maquiar, quero ser sempre natural”. E minha mãe? Ah, como ela ria… “Daqui a dez anos conversamos novamente”, ela disse.

Ela estava certa em quase tudo, menos na previsão. Com doze anos eu já pintava unha, com catorze passei a me maquiar, aos quinze já pensava em possibilidades no cabelo (que, infelizmente, ainda não aconteceram) e já planejava minhas tatuagens. Conversei com minha mãe, sabe? E, por sorte, ela sempre teve uma mente muito aberta – deixou logo de cara. Porém… Ah, esse porém me fez atrasar por um ano inteiro os meus planos. Eu queria tatuar o símbolo das relíquias da morte, de Harry Potter. Ia me arrepender depois? Talvez sim, talvez não… Hoje penso que não. É bonito e tem significado, importância para mim. Mas, se fosse pra ter feito uma tatuagem e mais nenhuma na vida, ficaria feliz de ser outra.

Fiquei com muito medo de me arrepender, muito. Pensei em tantas coisas, tantas formas, tantos significados, e adiei muito até fazer dezesseis anos (foi meu presente de aniversário). Decidi um dia antes (escolhi, na verdade, porque não me faltava opção) fazer o Ankh, símbolo egípcio da imortalidade.

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Essa tatuagem virou o meu xodó! Meu, de minha mãe, de meus amigos, e até mesmo daqueles parentes que achavam tatuagem feio, inútil, fútil. Não apenas pela aparência, de jeito nenhum. Foi o significado. Quem conhecia sabia: o Ankh era colocado em sarcófagos para que os faraós pudessem ressuscitar. Até aí tudo bem – é história, interessante, legal, e ok. Mas eu usei algo abstrato na tatuagem. Abrangi um contexto mais metafórico, e isso fez com que significasse muito mais para mim:

Ankh: símbolo universal da imortalidade. Não acho que, algum dia em minha vida, me arrependa de marcar em meu corpo tal símbolo. Sou adolescente, e é isso que nós adolescentes somos. Imortais. Fortes, corajosos, não temos nada a temer e nos arriscamos brutalmente, porque o raio nos cerca, mas não nos atinge. É assim que pensamos. E, se em alguns anos eu perder esses espírito jovem que, por mais estranho que pareça, sabe mais do mundo e da vida que qualquer outro, quero me lembrar dessa minha fase. Quero ter algo em mim sempre me recordando de quando eu era maior que todo o continente, que meus sonhos não tinham fronteiras. Recordar de hoje, ser imortal e sonhador que sou.

E essa foi a minha primeira tatuagem, aos dezesseis anos. Sobre dor? Bom, acho que isso varia muito de pessoa pra pessoa (ou lugar da tatuagem, como vão ver logo, logo). O Ankh não doeu NADA. Exato, nada. Eu sentia cócegas muitas vezes, afinal na nuca consegue controlar mais o que se sente. Talvez na parte de pintar eu tenha sentido queimar um pouco, mas esperava muito mais (juro, no meio do processo eu estava sonolenta e provavelmente peguei no sono por um tempo). Inclusive a única coisa que tenho a reclamar do lugar que escolhi é: como tive que abaixar a cabeça, a mesma ficou com muito sangue acumulado, e quando terminei a tatuagem fiquei tão tonta que quase desmaiei (por sorte uma tatuadora me ofereceu um halls, senão teria realmente desmaiado). Em resumo, foi tranquilo! Quase não mudou a minha dieta alimentar, eu apenas evitei Sol, o que não foi nada demais (mesmo eu morando em Salvador), e fui logo depois de fazer a tatuagem para uma festa, então, foi um ótimo dia!

Não preciso nem dizer que viciei, não é? Logo quis fazer uma atrás da outra, mas acabei não fazendo nenhuma por muito tempo – por medo, dúvida, falta de tempo, o que for, mas estava sempre pensando em opções.

Eu nunca quis fazer tatuagem meramente por fazer (aprendi com o erro de minha mãe, muito obrigada), e sempre procurei significados para tudo o que marco no corpo. Sabe aquela frase: “minhas tatuagens são minha proteção”? É algo assim, mas vejo as minhas tatuagens como a minha própria tradução. É como mostro, em tempo integral, quem eu sou. E foi aí que pensei, pensei, até ter a ideia da tatuagem que fiz em dezembro de 2015, cerca de nove meses depois da primeira: UPENDI. Sim! O nome que gerou o blog, que me enche de orgulho. Pode ler mais um pouco sobre isso clicando aqui. PS: Essa, por ser no pulso, doeu muito. Minha pele do pulso é muito fina, e sempre que passava por cima de uma veia eu sentia que ia chorar. Mas consegui. Por pouco que eu desistia de fazer pela metade…

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Ah, essa foi outra paixão! Uma amiga muito querida minha falou algo que me deixou super metida. Ela disse: “dessa vez você se superou!”. Eu fiquei contente por ter pensado nisso, porque O Rei Leão é com certeza o meu filme favorito e, também, essa palavra carrega tanto significado! E lá vai ele:

Em Upendi: esse termo foi estreiado, inicialmente, no filme O Rei Leão 2, de 1998 (coincidentemente no ano em que nasci), e na música cantada para Kiara e Kovu está claro o seu significado – amor. Algo inevitável, é claro, mas retratado como sendo necessário. Upendi é a paixão, o amor, que todos precisam sentir, que todos precisam ter para dar um sentido à vida. Minha segunda tatuagem é em homenagem a todos os beijos não dados, todas as declarações não feitas, todos os amores que não permitem existir. Eu, da mesma maneira que gostaria que todos fossem, me permiti ao amor. Amor familiar, entre amigos, amor ao meu namorado, e hoje posso afirmar com todo o orgulho do mundo: estou em upendi.

E depois dessas duas eu penso em tantas outras… Uma amiga, certa vez, usou uma frase que costumo repetir bastante: eu quero ficar parecida com um gibi gigante. É claro que falo brincando, de maneira exagerada, mas penso em fazer várias pequenas – eu não sou forte o suficiente para fazer uma maior que um palmo. E olhe lá!

Estou com umas ideias para fazer nesse ano e, claro, vão ficar em segredo por ora, mas tenho certeza que elas vão mostrar cada vez mais a vocês quem eu realmente sou.

 

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4 comentários sobre “Eu e as tatuagens

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